quarta-feira, 11 de maio de 2011

Por que a Associação Defenda Higienópolis tem medo da "gente diferenciada"?

O governo do Estado de São Paulo desistiu da construção de uma estação de metrô da futura linha laranja, que ficaria na esquina da av. Angélica e rua Sergipe, em Higienopólis, depois de protestos de um grupo de moradores do bairro, reunidos numa associação chamada "Defenda Higienópolis". Numa petição divulgada na internet, esse grupo apresenta vários argumentos contrários a construção da estação. Ao ler esse abaixo assinado, não pude conter a indignação com um grupo que se orgulha de pertencer a uma elite. E sinceramente, o texto em questão chega a ser nojento.

Muitos se manifestaram contrários a ação dessa associação e o próprio bairro virou piada na internet. Mas para muitas pessoas, o problema é a recusa em ter uma estação do metrô no bairro. De fato, talvez não haja a necessidade de tal estação, uma vez que a região já seria servida pelas estação Mackenzie (sim, eu sei que em qualquer cidade com um transporte de qualidade, a estações de trem/metro são bem próxima, mas acho que no caso de São Paulo, creio que devemos pensar em prioridades). No entanto, creio que a questão vai mais fundo, no ranço excludente de nossas elites, sempre egoístas, com o seu pendor higienistas e eugênicas.

Na verdade, o argumento da sobreposição de linhas e estações, e os custos das desapropriações são apenas os dois primeiros apresentado, e talvez os únicos que não provocariam a reação indignada de uma pessoa provida com o mínimo de humanidade. Mas as razões seguintes evidenciam realmente as motivações dessa associação: o encastelamento do bairro, deixando de fora a ralé, a gentalha, cuja simples presença seria razão de tal mobilização.

Sim, a simples presença do povão incomoda essa elite já que "o aumento deste fluxo de pessoas no bairro deve gerar um aumento de ocorrências indesejáveis, afetando a qualidade de vida dos moradores (..)". E é lógico, os camelôs se tornarão um problema para tão respeitável vizinhança.

Ao fim, ao cabo, o problema para as madames de Higienópolis não é a sobreposição de estações na região, não são as desapropriações ou a situação dos prédios. É a ralé, que a psicóloga Guiomar Ferreira chamou de "gente diferenciada". Simplesmente, a casa grande não quer que a senzala chegue no bairro. E o pior é que essa elite se acha cosmopolita só porque usou transporte público em Londres e Nova Iorque e pedalou um Vélib em Paris.

Mas quando o transporte público é no quintal, nem pensar. Povão perto dessa high society, só se for serviçal e com uniforme. E que venha de ônibus para o bairro.

Ps. Até o argumento de já haver estações próximas é uma falácia. Tanto as estações Marechal Deodoro quanto a Consolação ficam a mais de 1 km de distância da esquina da Angélica com a rua Sergipe.


Um comentário:

Mariana disse...

Eu acho que o metro sempre serve numa cidade, e com os problemas de transporte que há por tantos carros na rua, essa pode ser uma solução.
Também há muitas motos de delivery de comida em higienopolis.